Quando o sofrimento bater na sua porta mulheres guerreiras na fé parte 2
CONTINUAÇÃO
Nunca admiti que o sofrimento pudesse levar o ser humano ao crescimento. Afirmava que sofrimento causa dor, somente dor. Que a felicidade, a alegria, sim, elas poderiam levar ao crescimento. O que faltava nestas idéias era um pouco mais de reflexão. De sobra havia uma resistência em aprofundar o assunto.
Mas, acabei tendo de quebrar esta barreira quando li o livro Quando o sofrimento bater à sua porta do escritor, professor Fábio de Melo, que também é padre, cantor e compositor.
É o segundo livro que leio deste autor e novamente me encanta sua forma objetiva, clara, inteligente de dizer sentimentos. Sentimentos estão na linha da emoção, daí nossa dificuldade em palavreá-los. Para dizer sentimentos, muitas vezes, temos que fazer um exercício de distanciamento para, desta forma, perceber as várias faces do mesmo. Talvez um exercício comum aos artistas plásticos que sobre um mesmo objeto deixam incidir variadas luzes para descobrir variadas sombras. Um exercício de pontos de vista.
O livro todo é um convite à reflexão. São palavras que podem mudar vidas. Como escritora, fico fascinada com esta capacidade da palavra: ser luz. Também como escritora, muitas vezes, fico desanimada, mediante ao fato de ver o quanto ouvimos pouco o grito da palavra. Ela sozinha, presa ao papel, tão frágil... Mas ela mesma vem em meu socorro dizendo de sua força transformadora. Fico revigorado. Sei que palavras são sementes, podem cair em terreno fértil.
Gostei particularmente do trecho que o autor diz: São perguntas que nos seguram na dinâmica da vida (pág. 75). O capítulo é um chamado a fazermos a pergunta certa e mais do que isto, mostra-nos que conviver com nossas perguntas, sem nos incapacitar, é uma sabedoria que deveríamos buscar.
Há uma poesia latente em O pai, o menino e o rio... (pág. 96). É a vida. É o tempo. É a agonia de cada rosto. É o rio. É o menino. É o pai. É o pedido. É a resposta que não responde. O livro é coroado por belos poemas do autor e outros de igual quilate. Poesia-filosofia... Eu nunca saberei onde termina a poesia e começa a filosofia e vice-versa. Poetas e filósofos caminham de mãos dadas.
Brilhante também é forma com que o autor pensa o milagre: o milagre é realizado a quatro mãos. Mãos de Deus e mãos humanas. Explica a maturidade a partir da capacidade de assumir as responsabilidades.
Terminei a leitura com a sensação de plenitude. Tenho em casa quem pense exatamente da mesma forma do autor e, meu prazer em ler este livro passa também pelo sentimento de descobrir a existência de mais um que busca acender a luz no mundo. Bom demais!
Quanto ao sofrimento que faz crescer, aprendi: existem cascalhos e diamantes... só os diamantes podem fazer crescer. Diamantes... de amantes; amantes, aqueles que amam. No sentido mais profundo a palavra amor: emprestar a asa que nos é ausente. Se em Adélia Prado Amar é sofrimento de decantação podemos dizer: amar é sofrimento de lapidação